quinta-feira, 10 de fevereiro de 2022

Peculiaridades do Carnaval na Barra do Jucu

Origem no início do século XX, o carnaval na Barra do Jucu começou por meio de brincadeiras realizadas em uma pequena vila de pescadores  e com o passar dos anos tornou-se um evento tradicional  com enredos voltados para a crítica política e  social.  

Durante entrevista concedida, Vinicius de Oliveira (2021) relatou que as pessoas fabricavam máscaras com o uso de papel e de cola de mandioca, ocasião em que se escondiam nos matos para em seguida sair pelas ruas assustando as crianças, divertindo adultos e se divertindo; desta forma, segundo o entrevistado, nasceu a tradição de carnaval de máscaras na Barra do Jucu.

OLIVEIRA, 2021. Máscara de Carnaval
Com o passar dos anos, o carnaval dos mascarados passou por transformações também influenciadas pelos pescadores que, ao deslocarem para vender pescado em Vitória, viram “bois correndo pelas ruas” e decidiram representar esta cena e incorporá-la ao carnaval dos mascarados. Desta forma, “o grupo que brinca de mascarados escondido, foi para os matos, pegaram um pedaço de pau da vegetação, fizeram as costelas do boi. Pegaram um arco de barril, cortaram, fizeram a costela assim. Pegaram um pano de estopa, botaram por cima. Pegaram a caveira de boi aqui nas fazendas e botaram a caveira de boi na frente da vaca e fizeram a estrutura, uma alegoria de uma vaca” (OLIVEIRA, 2021). A partir de então, durante o carnaval, a “vaca brava” passou a fazer parte da brincadeira dos mascarados correndo pelo no meio do mato, chamando a atenção dos moradores do lugar. Esta brincadeira deu origem ao “bloco dos mascarados”. Atualmente os foliões usando máscaras de borracha, ainda mantem a tradição de se esconder no mato e surpreender com a alegoria da vaca.

A tradição deu origem ao atual “Bloco dos Mascarados”, mas hoje os foliões dão preferência para mascaras de borracha, mantendo a tradição de se esconderem na mata e da alegoria da vaca.
Outra tradição do carnaval da Barra diz respeito ao fato de que no ano de 1985, algumas senhoras fizeram uma excursão para Aparecida do Norte e tiveram a infelicidade de comer uma maionese estragada que fez com que passassem mal na viagem de volta. Os mascarados, que eram em geral geração anterior das senhoras, ou seja, seus filhos, resolveram fazer uma “homenagem” surpresa para a situação e fizeram a alegoria de um ônibus “de madeira mesmo, assim com contraparte de jornal e escreveram ‘Barra do Jucu / Aparecida: CAGADOS NO BAILE’, ‘ônibus movido a bosta’. Botaram uns penicos no ônibus, assim, e esse ônibus saiu andando pela rua” (OLIVEIRA, 2021). Durante a brincadeira com o ônibus os foliões jogavam ovo com farinha em quem estivesse na rua que passaram a revidar. Desta forma, “a Barra, no dia seguinte, ficou inteira fedendo ovo podre” (OLIVEIRA, 2021). O sucesso dessa brincadeira fez nascer o “Bloco Surpresa” que cresceu e se tornou um dos carnavais de rua mais famosos do Espírito Santo. A característica do Bloco Surpresa é fazer as alegorias escondidas da população e apresentar de surpresa durante o carnaval com voltado para a crítica política e social.

O carnaval de hoje: programação 

Uma semana antes do carnaval tem o Bloco da Lama. Sua origem vem de pescadores que se sujavam de lama no mangue e saiam pelas ruas e sujando todo mundo, como não dá mais. Como hoje em dia “a lama do mangue que está poluída, [...] o pessoal compra barro, todo mundo se suja de lama e sai [...] correndo pra praia” (OLIVEIRA, 2021);

No sábado de Carnaval tem o Bloco das Piranhas, onde mulheres se vestem de homem e homens de mulher; 
No domingo tem um Bloco Surpresa; 
Na segunda tem o Bloco dos Mascarados; 
Na terça-feira o Carnaval encerra o Bloco Surpresa novamente.

Confira a entrevista com Vinícius de Oliveira na Íntegra:



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