O projeto “Barra de Renda” resgata a Renda de Bilro,
patrimônio capixaba, que desapareceu em boa parte do estado, em especial com o
advento da indústria têxtil. Uma das responsáveis pelo projeto é Regina Ruschi,
ela conta que a prática da Renda de Bilro foi quase extinta há cerca de 50
anos, na época “a única fonte de renda para as Mulheres da Barra do Jucú era a
renda de bilros [...], então elas faziam renda de manhã, de tarde, de noite e
de madrugada” (RUSCHI, 2021).
Com as rendas industriais a arte foi deixando de ser
prestigiada e as ferramentas aos poucos sendo descartados, Ruschi (2021) conta
que esse processo abalou psicologicamente essas mulheres pois, seu trabalho antes
muito prestigiado, passou a ser menosprezado como uma atividade sem
importância.
O equipamento para a prática inclui uma almofada feita com
palha de bananeira para dar a firmeza necessária para fixar os bilros e um
cavalete. “Os fios são manejados por pequenas peças de madeira, os bilros, em
quantidades que variam de acordo com a complexidade do trabalho e que vão sendo
trançados pelas rendeiras com habilidade” (TAVEIRA, 2021).
Ruschi iniciou as pesquisas entre 2014 e 2015, em 2016
montaram a primeira oficina, na época, junto ao Museu Vivo da Barra do Jucú,
projeto que ela é também uma das fundadoras. Atualmente o Barra de Renda
funciona independente.
Dona Rosinha foi a primeira professora do projeto que em
2019 recebeu o título de mestre da cultura capixaba em Renda de Bilros, ela “foi
a única que se dispôs a voltar a fazer uma almofada, ela pegou os bilros, que
ela ainda tinha uns bilros que tinham sido da mãe dela [...] e começou a nos
ensinar, primeiro a fazer almofada, a fazer bilros e depois a fazer as
primeiras emendas” (RUSCHI, 2021).
O foco do projeto é no resgate do patrimônio, valorizar as
pessoas junto com a prática, as mulheres que se sentiram desvalorizadas e,
dessa forma, “fortalecer uma rede de economia Criativa, porque o outro foco do
projeto é trazer um desenvolvimento turístico e econômico para a comunidade” (RUSCHI,
2021).
O projeto caminha junto com outros artesãos da região, assim
fazem uma grande variedade de produtos: almofada, toalhinha, puxa-saco, fronha,
temos passadeiras, bonequinha rendeira, enxugador de mão, quadrinhos, porta
chaves com uma rendinha ou uma rendeirinha com o nome do grupo embaixo com
cenas da cultura da Barra, “tem cenas de rendeiras, tem cenas de pescadores,
tem cenas de Congo, tem cenas da vida dos barrenses, nossa Igrejinha, nosso
Morro da Concha, estão retratados aqui por nossos artesanatos” (RUSCHI, 2021).
O projeto Barra de Renda tem no Instagram, Facebook e
YouTube.
https://www.instagram.com/barraderenda/
https://www.facebook.com/Barraderenda
https://www.youtube.com/channel/UCaaIvWruFPyXu5Gk4jmHN6Q
Confira a entrevista e os registros feitos pelos estudantes:



Nenhum comentário:
Postar um comentário