quinta-feira, 10 de fevereiro de 2022

A Pesca

A Barra do Jucu tem sua origem como uma vila de pescadores que até a década de 1950 tinha na pesca e na caça as principais atividades que garantiam a sobrevivência da população local que raramente precisava se deslocar para fora da região.

Xaxá com os estudantes
da EEEFM Dr. José Moysés
Sebastião Sampaio, o Xaxá, é pescador da região e concedeu entrevista além de acompanhar um grupo de estudantes apresentando o litoral da Barra do Jucu, as praias, o Morro da Concha, oportunidade em que contou histórias sobre a tradição pesqueira.

Há poucas décadas atrás não existia a atual escada para atravessar o Morro da Concha e, para chegar à Praia da Concha, os pescadores atravessavam por trilhas e tinham grande leitura do ambiente para se guiarem em sua atividade prevendo o melhor dia e horário para a pescaria, de acordo com Sampaio(2021b), “eles se baseavam por esse pocinho [na trilha do Morro da Concha] que tinha aqui e pela linha lá. Então não tinha aquela linha, como não tem hoje, e o pocinho estava cheio, ia pescar e ficava dia todo no mar pescando, não tinha problema”

Praia da Concha

A fartura de peixes era tanta que, após dividir com a comunidade, o excedente era comercializado em Vila Velha e Vitória “sendo levado pela praia, atravessando-se a velha ponte do rio, com balaios nas costas ou transportados sobre animais, carrinhos de mão ou nas canoas do Rio Jucu, através do canal de Camboapina” (GALVEAS, 2005,  p.66).

Os peixes de água salgada mais encontrados na região eram: tainha, baiacu, pé-de-banco, boca-de-velho, paru, salamonete, oá, maria-sapeba, sargo, robalo, xaréu, chicharro, pescadinha, peroá, manjuba, sardinha, dentão, olho de boi, badejo, mero, cação, espada, sarda, enchova, guaibira, obarana,caranha, arraia, camarupi, entre outros. Os de água doce: morobá, traíra, bagre, cará, lambari, camboatá, muçum (GALVEAS, 2005,  p.63).

Haviam olheiros que eram pescadores com a função de subir no Morro da Concha na madrugada para observar a chegada de cardumes e gritar avisando os demais pescadores, “o grito ecoava por toda a localidade, alertando os pescadores (a maioria da população) que os peixes estavam lá e eles também deveriam estar” (GALVEAS, 2005, p. 66). O peixe que mais entusiasmava os pescadores era o xaréu “um dos maiores peixes que pegava aqui nos caçuás” (SAMPAIO, 2021b).

A atividade pesqueira permanece ativa na região, porém toda essa fartura reduziu drasticamente devido as mudanças do ambiente, como a poluição do Rio Jucú e seus afluentes, Sampaio (2021b) nos mostrou um pouco dessa poluição, “está vendo aquilo lá preto? Aquilo é lixo puro, oh. É muito lixo que o mar cavou então veio descendo o rio, depois do mar joga tudo pra terra de novo. Às vezes essa areia ali, ela tá aqui, oh, aí fecha tudinho. Isso aqui o Rio fecha aí morre muito, muito peixe aqui no Rio”. Além da poluição a pesca industrial contribuiu para essa redução pois “os barcos localizam os cardumes antes deles se aproximarem da costa e, com redes de arrasto de malhas finas, pegam tudo o que está pela frente” (GALVEAS, 2005, p. 122). Essas mudanças fizeram com que a maioria dos pescadores buscassem outras atividades além da pesca para garantir sua sobrevivência, a exemplo de Sampaio (2021b) que é pescador, mas também trabalha com pintura.

Confira abaixo o áudio da entrevista na íntegra e as imagens colhidas pelos(as) estudantes durante a visita:

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